Durante alguns anos, criamos uma ideia: todo mundo está nas redes sociais.
Se alguém quer conhecer um médico, procura o Instagram. Se quer saber mais sobre uma clínica, abre o perfil. Se quer avaliar um profissional, olha os posts, os seguidores, os vídeos e os comentários.
Parecia simples.
Só que talvez estejamos entrando em outra fase da internet.
Existe um grupo crescente de pessoas que simplesmente não quer participar dessa dinâmica. Algumas nunca tiveram Instagram. Outras tiveram e abandonaram. Há quem mantenha uma conta quase por obrigação, entra raramente e publica menos ainda.
Os motivos são diferentes.
Privacidade. Cansaço. Excesso de exposição. Discussões políticas. Comparação constante. Publicidade demais. Algoritmos tentando decidir o que merece nossa atenção. Ou simplesmente uma vontade bastante legítima de não transformar cada pedaço da vida em conteúdo.
E isso parece particularmente interessante quando observamos o público acima dos 30 anos.
São pessoas que conheceram uma internet anterior às redes sociais. Lembram de quando entrar na internet não significava necessariamente entrar em uma plataforma. Para elas, deixar o Instagram não significa deixar de usar o digital.
Essa pessoa continua pesquisando.
Abre o Google.
Consulta o Maps.
Entra em sites.
Lê avaliações.
Pesquisa o nome do médico.
Pergunta ao ChatGPT.
Experimenta Gemini, Copilot, Perplexity e outras ferramentas que começam a ocupar um espaço que antes pertencia quase exclusivamente aos buscadores tradicionais.
Ela continua procurando respostas. Apenas não quer necessariamente encontrá-las no meio de stories, reels e feeds infinitos.
Isso cria uma questão importante para médicos, clínicas e também para quem trabalha com estratégias digitais.
Durante muito tempo, confundimos estratégia digital com estratégia de redes sociais.
Não são a mesma coisa.
O Instagram pode continuar sendo extremamente relevante. Para determinados públicos e especialidades, continuará sendo um dos principais pontos de contato entre paciente e médico.
O problema começa quando ele se transforma no único endereço digital realmente cuidado por uma empresa ou profissional.
Porque existe vida digital fora do feed.
E talvez esteja crescendo justamente um público que prefere encontrá-lo em outros lugares.
Nesse cenário, site, Google, conteúdo próprio, reputação digital, mecanismos de busca e presença nas respostas produzidas por inteligências artificiais deixam de parecer ferramentas antigas ou complementares.
Passam a formar uma espécie de território independente das redes sociais.
Há ainda uma ironia nisso tudo.
Quanto mais as plataformas disputam nossa atenção, mais algumas pessoas parecem dispostas a protegê-la.
Quanto mais somos incentivados a estar permanentemente conectados, mais gente começa a descobrir o prazer de não estar.
E essas pessoas não desapareceram.
Elas continuam comprando, escolhendo profissionais, pesquisando tratamentos e tomando decisões.
Só não estão necessariamente rolando o feed.
Como sua presença digital será encontrada por quem decidiu não estar nas redes sociais?