Muitas vezes me perguntam em quanto tempo eu entrego um site. E eu quase sempre respondo com outra pergunta, porque a verdade é que essa não é bem a pergunta certa.
Entendo de onde ela vem. Vivemos numa época de pressa, de entrega expressa, de tudo para ontem. É natural querer saber a data em que aquilo estará pronto. Mas quando o assunto é um site, a ideia de "pronto" começa a ficar estranha, quase não se aplica. Porque um site não é um objeto que se fabrica, se embala e se entrega fechado. Ele é outra coisa.
Eu gosto de pensar no site como um organismo vivo. Ele nasce, sim, tem um dia em que vai ao ar. Mas a partir dali ele precisa respirar, se adaptar, crescer. O Google muda, as pessoas passam a pesquisar de um jeito novo, surgem as IAs, o seu trabalho evolui, sua especialidade ganha novidades. Um site que fica parado no tempo, congelado no dia em que foi "entregue", envelhece rápido e deixa de cumprir o que deveria.
Por isso me recuso a criar de qualquer maneira, ou em tempo recorde. Quando alguém me confia a própria presença digital, está me confiando a forma como vai se apresentar ao mundo, como vai ser encontrado, como um paciente vai formar a primeira impressão sobre ele. Isso é responsabilidade demais para tratar com pressa. Fazer rápido é fácil. Fazer com excelência pede o tempo que a excelência sempre pediu.
O que eu entrego, no fim, não é um arquivo fechado nem uma tarefa concluída. É um compromisso. O de apresentar o trabalho de alguém da melhor forma possível, e de continuar cuidando disso enquanto for preciso. Um bom site nunca está realmente terminado, e é exatamente por isso que ele continua funcionando.